As mulheres e o Zeca

QUANDO OS OLHOS SÃO OUVIDOS

Exposição de Fotografia
De Virginie Duhamel

7 IMAGENS em formato 40 por 60
Impressas em papel RC semi-mate
(Epson Ultrachrome K3 Ink Technology)
Numerotadas de 1/10 para cada imagem

UM OBJECTO: Mala de madeira
(Troncos de madeira da Serra da Arrábida, corda de cânhamo, arame)

CATARINA EUFÉMIA (MURDER BALLADS)
CATARINA EUFÉMIA (MURDER BALLADS)
TERESA TORGA (VOYEUR)
TERESA TORGA (VOYEUR)
MALA DE MADEIRA (MULHER DA ERVA)
MALA DE MADEIRA (MULHER DA ERVA)
MARIA (MARIA FAIA)
MARIA (MARIA FAIA)
AL MADONNA (CHAMARAM-ME CIGANO)
AL MADONNA (CHAMARAM-ME CIGANO)
A RONDA DAS MAFARRICAS (MENINA DA LAMA)
A RONDA DAS MAFARRICAS (MENINA DA LAMA)
MENINO DO BAIRRO NEGRO (YIN/YANG)
MENINO DO BAIRRO NEGRO (YIN/YANG)

No céu cinzento, no céu brilhante, sob o astro mudo, sob o sol fulgente, as mulheres que Zeca retratou trazem a luz que na longa noite escura do preconceito e do fascismo cobria toda a realidade num manto de sordidez pétrea e cristalizada e que a todos envolvia no mesmo abraço. Eram elam, foram elas, são elas, as mulheres que Zeca escolheu para suas musas, que transportam a lanterna que aponta a saída de um beco, de um labirinto feito de coisas mesquinhas, e o músico foi o gigante que num país liliputiano as elevou às suas alturas, à sua grandeza eterna e ancestral, de portadoras da vida, de sementes da revolução que no peito o grande autor do século XX português sempre acarinhou. Raios de esperança num universo ausente de amor e caridade genuínas, a grandeza das figuras femininas glosadas por Zeca define-se bem na sua universalidade, um véu que as cobre e que as transporta a todos os sítios, a todos os lugares, a todos os tempos em que a opressão e a tacanhez ganham espaço à criação e à liberdade. Frutos da imaginação transbordante da terra, das águas, do fogo e do ar, as mulheres em Zeca são mais que elas próprias, são arquétipos em permanência para aquilo que verdadeiramente pode salvar o planeta e a humanidade: a certeza numa verdade de liberdade absoluta, de justiça equalizante, de esperança e fé num tempo em que os filhos da Terra se saibam respeitar a si próprios, respeitar a grandeza uns dos outros e a majestade do poder feminino que emana de todo o lado, da rocha, onde se constroem e lançam os alicerces de um amanhã renovado e fresco, como as madrugadas que Zeca cantou nas suas canções e de que as mulheres que ele retratou fizeram corpo, espírito e substância. Ligando-se a essa universalidade, as fotografias de Virginie Duhamel capturam para o contemporâneo esse universo simbólico, aquilo que são as emanações do princípio cósmico a que Zeca se ligou, e que Virginie captou com a sua câmara, o mesmo omnipresente fluxo etéreo e universal. O Yin cósmico. O feminino. Por ocasião  do  Dia  da Mulher e a convite da Associação José Afonso, 7 fotografias versando esta temática estarão expostas na AJA, no âmbito da Iniciativa Março Mulher, na Casa da Cultura de Setúbal, na exposição “As mulheres e o Zeca”, em que Virginie Duhamel, AKA Virgínia d’Aldeia, performer, fotógrafa e videoartista, que se debruça sobre temas como o preconceito e a discriminação, a crise ecológica, nomeadamente os efeitos das dragagens no rio Sado, o capitalismo no que este revela de mais nefasto, a exploração da natureza e as novas escravaturas, e que tem como algumas das bandeiras, o feminismo (não radical e totalmente inclusivo), o anti-racismo, anti-islamofobia e a anti-ciganofobia, expõe, enquanto modelo e fotógrafa, as suas interpretações de 6 figuras femininas cantadas por José Afonso e mais uma, a canção que Zeca teria escrito se vivesse nos dias de hoje, inscritas no imaginário de todos os que conhecem bem Portugal e a sua história na segunda metade do século XX. 
                                                                                                                                                                           Rui Lorga, Poeta na Casa Virginie

AGRADECIMENTOS: Ana Brito (Desafío e Apoio Musical), Filipe Fernandes (Assistente de Fotografia e de Produção), Rui Lorga (Poesia e títulos), Renato Gomes (Assistente de Fumo), Anónimo, Nuno Soares e Fineprint.
Um especial agradecimento ao AJA de Setúbal pelo convite e apoio e ao Iniciativa Março Mulher.

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